Uma explosão de cores, sons, alegria e fé: assim foi a tradicional Festa da Lavagem do Cruzeiro, que tomou conta das ruas de Amélia Rodrigues em celebração aos 110 anos da festividade. Com concentração na praça principal, logo na entrada da cidade, o desfile seguiu em direção à Praça do Cruzeiro após a queima de fogos. O trajeto pelas vias principais da cidade, culminou nas escadarias da “Praça Cruzeiro”, ponto alto desta importante manifestação cultural.
E quem estava junto trazendo toda a ancestralidade dos batuques de terreiro para a rua foi o grupo “Ilú dos Alabês - Ilú Batá”, formado por músicos experientes e com vivência nos espaços de matriz africana em diversas casas do gênero na Bahia, fizeram um lindo cortejo com seus atabaques, tambores, agogôs entre outros instrumentos percussivos. E uniram as suas vozes às dos demais grupos que participaram deste espetáculo de rua, a exemplo do grupo feirense “Samba de Mães” que é formado exclusivamente por Mães de Santo de Feira de Santana. “O Ilú dos Alabês e todos os demais grupos são vozes unidas e irmanadas por propósitos comuns como: o respeito ao próximo, o combate à intolerância religiosa, a celebração desse momento tão esperado, tão importante e a acolhida às pessoas que professam qualquer outro tipo de fé e estão aqui desfilando com a gente. Assim festejamos, assim celebramos a vida nesta festa tão importante para a cultura local e calendarizada na cultura baiana.” Enfatizou o músico e produtor cultural Ramiro Barbosa.
Um detalhe muito peculiar da Lavagem do Cruzeiro é que ela não se concentra em um único show ou atração. São diversas apresentações culturais programadas e espontâneas, e as primeiras já começam na concentração, enquanto os músicos fazem “o esquenta” para o desfile principal. Dá pra notar o envolvimento do público, a reverência entre grupos e a união de vozes com a mesma energia e nesse quesito o “Ilú dos Alabês” fez bonito e marcou história atraindo olhares, ouvidos, dançadores, batuqueiros, cantadores e chamou a atenção de toda imprensa presente.
Para Ramiro Barbosa, o que marca o axé do Grupo “Ilú dos Alabês - Ilú Batá” no cortejo da Lavagem e que torna ele autêntico e verdadeiro são as raízes originárias de cada integrante: “O que traz força ao grupo é o fato da maioria dos componentes serem ogans, ligados por amor a religiosidade afro, nós podemos estar ali no cortejo fazendo nossa patuscada e dialogando com o povo e com as autoridades presentes através do toque,” explicou Ramiro.
Jaime Sampaio produtor executivo e filmmaker oficial do grupo, ressalta a beleza das cores das danças e dos ritos enfatizando que se numa festa dessas se por ventura não tiver a cultura de matrizes africanas, se perde muito: “Pense aí a festa sem nada do que a gente vê as cores, as mulheres, os homens, as crianças as roupas lindas, o pessoal bonito, sem eles a festa fica sem graça e somados a isso a música completam a estética geral. E nesse contexto ressalta a qualidade musical apresentada pelo Grupo “Ilú dos Alabês - Ilú Batá” como essencial para a composição de som, ritmo e ancestralidade marcando presença e entregando axé e energia positiva ao povo de Amélia Rodrigues,” afirmou Jaime.
Sobre a história da Lavagem
Em entrevista à TV Fala Genefax, o gestor e produtor cultural Pedro Lucas Lerry, lembra que no início, a Festa do Cruzeiro, começou como uma Festa tradicional de quermesse católica, onde os padres franciscanos construíram a cruz e batizaram mais de 40 pessoas há 110 anos. E completa dizendo que com o passar do tempo a Lavagem se transformou no centro do fomento da cultura popular e de Matriz Africana em Amélia Rodrigues, com a participação de mais de 40 instituições credenciadas entre terreiros de matriz africana e afro-brasileira, como também grupos de capoeira.
Por Emerson Azevedo
Fotos: Jaime Sampaio
Fonte: TDL - Comunicação e Mídia
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